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  • Foto do escritorBlack Canary

Atonement: 10 anos do lançamento



Dez anos atrás, em 11 de Janeiro de 2008, estreava nos cinemas do mundo todo a adaptação de Reparação, do escritor britânico Ian McEwan. Nos cinemas brasileiros, o filme foi lançado com o nome de Desejo e Reparação (apesar de ninguém saber exatamente o motivo para isso até hoje), no original Atonement. Desde que assisti esse filme pela primeira vez, ele está em uma zona cinzenta para mim. A produção conta com nomes de peso, apesar de ainda estarem no começo de suas carreiras de sucesso astronômico, como Keira Knightley (Orgulho e Preconceito e Piratas do Caribe), James McAvoy (X-Men e Fragmentado), Saoirse Ronan (Lady Bird e Adoráveis Mulheres) e Benedict Cumberbatch (Sherlock e Doutor Estranho).


Como disse, esse filme é uma zona meio cinzenta para mim até hoje. Atonement tem tudo que um filme de sucesso precisa, um "filme digno de Oscar". Os figurinos são perfeitos, o elenco não poderia ser melhor, os cenários e as ambientações são fiéis aos eventos históricos e ao livro e a produção, como um todo, é completamente sem falhas. O meu grande problema com o filme (não que seja exatamente um problema), na verdade é com a história, que data de 2001, com o lançamento do livro. O enredo de Atonement é tão real, íntimo e humano que não é mais um romance/drama/filme de guerra de forma alguma. A história é de uma realidade fria e sem nenhum tipo de embelezamento. (Quer dizer, fora os lindos olhos do James McAvoy) E, além desse enredo quase cruelmente realista, ainda há a atuação fantástica de alguns dos melhores atores da atualidade. Saoirse Ronan, por exemplo, com apenas 12 aninhos foi indicada ao Oscar, ao Globo de Ouro, BAFTA e Critic's Choice Awards pelo seu brilhante papel como Briony Tallis. Sem falar, é claro, de todas as outras indicações que o elenco e a produção receberam. James McAvoy rouba qualquer cena onde aparece, e sua interpretação do jovem, apaixonado e sofredor Robbie é, na minha humilde opinião, uma das mais subestimadas da história do cinema, digna de Oscar e muito mais. Keira Knightley mais uma vez impressiona a todos com uma excelente performance em mais um maravilhoso filme de época dirigido por Joe Wright. Em outras palavras, o meu problema com Atonement é que a perfeição é tão gigantesca que a realidade está apenas a alguns passos de distância.


O meu ponto é... esse par de olhos. Esse é o meu ponto.


Em resumo, o conjunto todo da obra, uma das poucas verdadeiramente merecedoras do título de obra de arte, mas, como todo filme que realmente marca uma época, Atonement não é um filme fácil de assistir. A trilha sonora marcada pelo som da máquina de escrever de Briony, todas as idas e voltas das cenas e a intensidade (e qualidade) das atuações faz com que você talvez precise de uma pausa para respirar no meio do filme. (A sequência na praia de Dunkirk é, certamente, uma das mais marcantes do século XXI, e é impossível assistí-la sem se emocionar.) Como eu disse anteriormente, esse definitivamente não é mais um romance. A história permanece conosco por dias, nos fazendo revirar o final várias e várias vezes em busca de qualquer tipo de conformação. Indignação e revolta marcaram as pouco mais de duas horas de filme e vai ser difícil assistir qualquer coisa menos extraordinária após assistir Atonement. Mas de uma coisa eu tenho certeza, mesmo daqui a 10 anos, ainda vamos poder falar de Atonement. Quem sabe eu o faça.


"Este drama baseado no livro de Ian McEwan acompanha a vida de dois jovens amantes, Cecilia Tallis e Robbie Turner. Quando o casal é separado por causa de uma mentira contada por Briony, irmã caçula e ciumenta de Cecilia, todos sofrem com as consequências. Porém, quando seus caminhos se cruzam novamente durante a Segunda Guerra Mundial, surge uma nova esperança."


*Atonement está disponível na Amazon Prime


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